Esporte precoce.

O esporte é cada vez mais presente em nossas vidas e isso vem causando cada dia mais a iniciação precoce as competições de alto rendimento. A identificação com ídolos, grande divulgação pelos meios de comunicação, pressão dos pais e pressão dos treinadores por resultados fazem com que crianças entrem cada vez mais cedo no esporte competitivo. Obviamente que esse sistema de treinamento profissional precoce trás grandes resultados, criando os chamados campeões quando atingem seu exponencial físico (entre 20 e 27 anos), porém os que chegam ao “estrelato” são poucos. Então surge uma indagação “e os que ficaram no meio do caminho?”. Criar a idéia para crianças de que irão tornar -se campeãs, não necessariamente as torna.
A pedagogia do esporte não é apenas fazer com que os pequenos repitam exercícios feitos por adultos, vai muito além disso, envolve princípios, comunicação, diálogo e sensibilidade. Será que o esporte levado a esse nível pode contribuir para a formação de um individuo? Muitos dizem que trás disciplina, mas trás seqüelas físicas e mentais muito maiores do que a disciplina, sem contar que existem vários outros jeitos de ensinar tal valor. “(…)Como pode uma prática com fins educativos pautar-se na seleção e na especialização de poucos, ser excludente por essência, dando-se o direito de escolher aqueles que terão acesso aos seus benefícios” (KORSAKAS, 2002).
Lendo sobre o assunto, vi a seguinte constatação: “A verdadeira natureza da competição é que ela cria mais perdedores do que vencedores. Nesse ponto a competição passa a ser tanto desencorajadora quanto ameaçadora àqueles que não possuem capacidades e habilidades suficientes para desempenhar adequadamente e obter o desejado sucesso” (DE ROSE JR, 2002).
De fato nem todos podem ser campeões, mas o peso da derrota tem graus diferentes se levado em consideração a idade e o nível de treinamento da pessoa, a derrota é muito mais dolorosa para uma criança que tem um treinamento de nível profissional se comparado uma criança que apenas pratica e não treina ou então um adulto que sabe contornar a situação.
O maior problema é que muitos centros de treinamento aperfeiçoam apenas a técnica e ignoram o psicológico. “Entendemos por treinamento intensivo precoce (especialização esportiva) o período onde adotam-se programas e métodos de treinamento especializados (SANTANA, 2001). É quando a criança faz, sistematicamente, um único tipo de esporte e encontra aulas que não são diversificadas (SANTANA, 2004). Implica ainda em competições regulares, aprimoramento técnico dos fundamentos, assim como do conhecimento tático e o desenvolvimento das capacidades físicas direcionadas para o rendimento esportivo (SANTANA, 2001). Nesse tipo de treinamento, a criança é pressionada a comportar-se como alguém que não é. É o tipo de situação inútil, que leva os professores a tomarem o tempo dos outros de ser criança (SANTANA, 2004).

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Liberdade.

“Quero a minha liberdade!”
E ele conseguiu um emprego melhor
“Quero a minha liberdade!”
E ele saiu de casa
“Quero a minha liberdade!”
E  ele comprou um belo carro
“Quero a minha liberdade!”
E ele comprou outro carro
“Quero a minha liberdade!”
E ele se matou

Considerando o fato de que a liberdade plena não pode ser alcançada, pois vivemos em uma sociedade com regras, devemos buscar a felicidade nessa liberdade parcial e possível. O problema ocorre quando padronizam a felicidade e colocam pré-requisitos.
Cada pessoa é única, cada ser é individual com suas vontades, sonhos e verdades, portanto a sua própria felicidade.
Não podemos padronizar pessoas nem tentar profissionalizar relações, os estereótipos e formatações engessam  a felicidade, acabam com os sonhos genuínos e aprisionam o espírito.

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Verdade.

“A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.

Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.

Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
diferentes uma da outra.

Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.”

Carlos Drummond de Andrade

A razão é baseada na verdade; só tem razão aquele que diz a verdade. Mas a verdade é algo extremamente flexível, cada um tem a sua baseada em sua cultura, pensamentos e experiências, muitas vezes tornando-se projeções. E como caminhamos pela vida, esbarrando em nossas projeções (assombrações do passado e do desejo), muitas vezes começamos a “endurecer” a mente.

O homem é feito de suas verdades e o problema surge quando alguém possui uma verdade que o leva a acreditar que as razões de outras pessoas são falsas, ou seja quando essa verdade suja, mórbida para a sociedade, ofusca sua compreensão. E como o que realmente conta para a sobrevivência é a verdade coletiva que ajuda a manter os grupos da sociedade em relativo equilíbrio, cria-se conseqüências patogênicas ao meio.

O que o poema ilustra de maneira fantástica e até onírica é que o mundo só entrará em equilíbrio perfeito quando a compreensão for posta antes da razão.

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Símbolos puros.

“O homem é um dos únicos animais capazes de compreender símbolos”

Vivemos em um universo de símbolos, e tentarei falar sobre um tipo de simbologia muito presente, porém pouco explorada. Símbolos estes que quando feitos sem planejamento retratam o real sentimento das pessoas, pois quando se verbaliza ou se escreve, normalmente se planeja, calcula e adéqua para não mostrar seu possível demônio, não se trata de falsidade as pessoas muitas vezes fazem isso inconscientemente, pois o ser humano é um ser coletivo e só mostram o que querem que seja visto, o seu “melhor”.

As relações que o homem constrói são cultivadas por meio de simbologias, palavras não faladas ou escritas que dizem muito mais que qualquer texto, palavras essas que aguçam os sentidos e criam julgamentos. Um olhar apaixonado durante o encontro dos que não estão juntos, o aperto de mão forte ao cumprimentar um desconhecido ou o arfar quente na nuca durante o sexo, todos esses exemplos trazem consigo dissertações implícitas e significados não verbalizados.

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A vulnerabilidade da coragem.

O ato de ser corajoso cria uma vulnerabilidade consequente que pode ser arrasadora ou então extremamente gratificante. Na verdade, o ato de ser corajoso é exatamente isso: trincar os dentes, pisar no escuro, arriscar, buscar algo além da conformidade que a maioria dos seres humanos se confortam, seres estes que preferem ficar nos mesmos lugares, rir das mesmas piadas e sentir os mesmos sabores.

A vida é um eterno jogo de apostas e trocas. Sejam elas pequenas ou grandes, a troca é o meio mais seguro de se conseguir algo, porém, só se consegue realizar grandes feitos por meio de grandes apostas. E não estou me referindo aos covardes que inflam seus egos, gabando-se de ações tomadas sem nenhum risco de perda, estou falando dos grandes jogadores, que resolveram sair de suas zonas de conforto e buscar o incerto. São essas pessoas que são lembradas, mesmo quando o resultado não é positivo, pois como foi dito uma vez  por Nizan Guanaes “Já  vi grandes livros e filmes sobre a tristeza, a tragédia, o fracasso. Mas ninguém narra o ócio, a acomodação, o não fazer, o remanso.”

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